Arquivo da categoria ‘Mídia’

Manifesto da Morfina é lançado
4 de fevereiro de 2012

Milhões de pacientes em todo o mundo sofrem com dores desnecessárias porque medicação simples e barata lhes é simplesmente negada.

Por causa disso, o Pallium India, a International Association for Hospice and Palliative Care (IAHCP) e a o Grupo de Estudos de Dor e Política de Medicamentos da Universidade de Winsconsin (EUA), em colaboração com a Organização Mundial da Saúde (WHO), lançaram nesta sexta-feira, dia 3 de fevereiro, o Manifesto da Morfina.

O Manifesto foi assinado por institutos, fundações e organizações relacionadas ao câncer, dor e Cuidados Paliativos de todo o mundo.

O documento clama pelo fim na antiética prática de privilegiar a prescrição e o consumo de opioides e analgésicos de alto custo, em detrimento à morfina oral de baixo custo (Morphine Sulfate Immediate Release – MSIR).

O Manifesto também clama governos, instituições de saúde e a indústria farmacêutica que assegurem o acesso à morfina para pacientes que necessitam da droga a um custo que as pessoas e as comunidades possam pagar.

Os principais líderes do Manifesto da Morfina falaram da importância do anúncio:

Para o Dr. M.R. Rajagopal, presidente do Pallium India, “dor prolongada destrói a mente, o corpo e as famílias”. Ele afirmou ainda que “nós não podemos nos intitular uma sociedade ética se negamos alívio a quem tem dor e, pior do que isso, ainda apoiamos ganhos financeiros a partir do sofrimento ao impor remédios caros e inacessíveis à população”.

Já o Dr. Jim Cleary, diretor do Grupo de Dor e Política de Medicamentos da Universidade do Winsconsin, enfatizou que “o efetivo manejo da dor é um imperativo moral, uma responsabilidade profissional e uma dever dos profissionais de saúde de todo o mundo. Acesso à morfina oral de baixo custo poderia ser um grande passo no efetivo manejo da dor para 83% da população mundial”.

A diretora executiva da IAHCP, Liliana De Lima, ressaltou: “nós esperamos que este manifesto motive governos a diminuir a burocracia que afeta o acesso a opoides e trabalhe com a indústria farmacêutica para facilitar a produção e distribuição de MSIR a todos que precisam”.

Para ler e assinar o Manifesto da Morfina, visite o site: http://palliumindia.org/manifesto/.

A ANCP apoia esta iniciativa.

Como usar a Biblioteca Virtual
11 de janeiro de 2012

A Biblioteca Virtual do site da ANCP mantém um acervo de livros, teses, artigos científicos, reportagens e pesquisas sobre Cuidados Paliativos.

Alguns documentos são exclusivos para os associados da ANCP em dia com sua anuidade. Para acessá-los, basta usar login e senha. Os associados também podem submeter artigos científicos que desejem ver incluídos na Biblioteca.

Há, porém, muitos textos livres para uso da comunidade paliativista brasileira.

Visite a Biblioteca Virtual pelo menu lateral do site e confira!

OMS publica guia de Cuidados Paliativos para população idosa
11 de janeiro de 2012

A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou em dezembro o livro Palliative Care for Older People: Better Practices (Melhores Práticas em Cuidados Paliativos para Idosos).

A publicação, em inglês,  trás o resultado do trabalho da OMS na Europa, em parceria com a European Associatition of Palliative Care (EAPC). Entre os assuntos abordados estão: a urgência dos Cuidados Paliativos nos sistemas públicos de saúde, Cuidados Paliativos em pacientes com demências, estratégias de cuidados ao fim da vida na Inglaterra e definições de Cuidados Paliativos.

A Dra. Dalva Matsumoto, diretora da ANCP, fez uma avaliação da publicação:

PALLIATIVE CARE FOR OLDER PEOPLE: BETTER PRACTICES

A população mundial encontra-se num processo de envelhecimento progressivo, estando sujeita aos efeitos das doenças crônicas no final de vida. A demência é uma doença crônica ainda incurável e progressiva que pode ter um prognóstico de mais de 15 anos de evolução com fase de terminalidade que perdura por meses. Estima-se que ¼ da população com mais de 85 anos na Europa desenvolverá algum tipo de demência, o que corresponde a 4,6 milhões de casos novos/ano. A tendência é que este crescimento seja semelhante no restante do mundo, incluindo o Brasil. Reconhecer as necessidades desta população idosa é um desafio em saúde pública.

Esta publicação mostra exemplos de boas práticas em cuidados paliativos para a pessoa idosa. Sugere planejamento, suporte, orientação de serviços mais apropriados e efetivos para atender as necessidades deste seguimento, envolvendo a participação de entidades como a Associação Européia de Cuidados Paliativos e a Sociedade de Medicina Geriátrica da União Européia. Chama a atenção sobre as doenças que não o câncer e que afetam as pessoas idosas , lembrando que são doenças debilitantes, com necessidades específicas para sua abordagem, como as demências, as artrites e a osteoporose. Enfatiza a importância de uma abordagem conjunta entre as equipes de Cuidados Paliativos e as especialidades de atenção à saúde do idoso, incluindo a atenção primária e social. Reforça a necessidade de treinamento destas equipes para melhor atender as necessidades das pessoas idosas pois as síndromes que afetam estas pessoas, como a incontinência urinária e risco de quedas não são comumente abordadas nos livros textos de Cuidados Paliativos .

Reconhece que ainda não existe um treinamento adequado para o manejo de opióide para o tratamento da dor no idoso, nem conhecimento aprofundado da sua farmacocinética nestas pessoas e a relação da polifarmácia com as diversas comorbidades .

A publicação sugere a necessidade de mais pesquisas neste campo, integração de serviços, treinamento adequado, maior familiaridade dos profissionais no atendimento de doenças de longa evolução e chama a atenção para os desafios de comunicação no processo de cuidar da pessoa idosa.

Uma obra bastante criteriosa e abrangente com exemplos de serviços e modalidades de atenção,  abordagens e ainda algumas recomendações. Com certeza muito útil para todos os profissionais envolvidos com  atenção à saúde da pessoa idosa.

Dalva Yukie Matsumoto

Para ler o texto completo, visite a Biblioteca Virtual da ANCP.

WPCA publica mapa mundial dos Cuidados Paliativos
14 de dezembro de 2011

A Worldwide Palliative Care Alliance (WPCA), instituição internacional que congrega associações de Cuidados Paliativos de países de todos os continentes, publicou esta semana uma pesquisa intitulada Mapping levels of palliative care development: a global update 2011 (Mapeamento dos níveis de desenvolvimento global dos Cuidados Paliativos em 2011).

No documento, os países foram classificados com notas de 1 a 5, sendo a nota 1 para aqueles sem qualquer atendimento paliativo e nota 4b para países com alto nível de integração entre os serviços.

O Brasil aparece, segundo a pesquisa, na posição 3b, ou seja, com atendimentos isolados e sem rede estabelecida. É a mesma posição do Peru, Venezuela, México e Rússia. Contudo, o Brasil está atrás de países como Argentina, Índia, China e África do Sul (nível 3 a). No nível 4b, aparecem Estados Unidos, Grã-Bretanha e Austrália.

O relatório completo está publicado na Biblioteca Virtual do site da ANCP. Também pode ser baixado do site: www.thewpca.org.

Idoso com doença crônica tem dificuldade de atendimento
8 de setembro de 2011

Por Júlio Bernardes / Agência USP

Entre idosos portadores de hipertensão e diabetes em São Paulo, 26,8% disseram ter dificuldades de acesso aos serviços de saúde, revela pesquisa da Faculdade de Saúde Pública (FSP). O trabalho da pesquisadora Marília Louvison mostra que os problemas relatados, na maioria dos casos relacionados a baixa qualidade dos serviços percebida pelos idosos, acontecem tanto no sistema público quanto no atendimento privado. No entanto, entre os que possem plano de saúde, 17,6% reportaram dificuldades, índice que chega a 42,4% no serviço público.

 
É preciso maior atenção ao idoso nos sistemas público e privado de saúde“Este número reflete uma maior desconfiança no sistema oficial de saúde, mas os problemas de acesso, como marcação de consultas para controle das doenças, acontecem de modo significativo em ambos os setores”, diz Marília. “A mesma dificuldade não foi apontada quanto ao tratamento, considerado satisfatório nos dois serviços”. O estudo recomenda que os sistemas públicos e privados de saúde aprimorem a atenção aos idosos, devido ao crescente envelhecimento da população brasileira e a alta prevalência de doenças crônicas.

De acordo com a pesquisa, o uso de medicamentos é equiparado entre os pacientes públicos e privados. “Tanto nos casos de fármacos de última geração quanto daqueles mais indicados pelos protocolos de atendimento, o acesso é semelhante no Sistema Único de Saúde [SUS] e na saúde suplementar”, aponta a pesquisadora.

A pesquisa utilizou os dados do estudo latino-americano Saúde e Bem Estar no Envelhecimento (SABE), com a participação da FSP, que entrevistou em São Paulo 2.143 idosos em 2000, e 1.115 em 2006. “É um estudo epidemiológico longitudinal , ou seja, de coorte”, conta Marília. “Os mesmos idosos entrevistados em 2000 voltaram a ser procurados cinco anos depois, para verificar a evolução das doenças, se houve incapacidade funcional, o surgimento de novos casos e o índice de mortalidade”.

Proteção
A prevalência de hipertensão entre idosos subiu de 53,1% em 2001 para 65.3% em 2006. “Observou-se que o incremento da doença está relacionado com a condição socioeconômica, sendo que a maior renda funciona como fator protetor”, diz a pesquisadora. O número de portadores de diabetes aumentou em cinco anos de 16,8% para 22,8%. Entre os portadores das duas doenças, 48,9% possuem plano de saúde. “Em ambas as doenças, o maior número de casos é verificado nas mulheres, embora o número de doentes tenha aumentado entre homens, que apresentam um índice de mortalidade maior”.

O estudo não identificou diferenças significativas de mortalidade e incapacidade funcional. “Apenas entre os idosos que não possuíam saúde suplementar, houve uma queda de desempenho relativa a atividades instrumentais da vida diária, tais como fazer compras, lidar com dinheiro ou sair de casa”, diz Marília. A pesquisa teve orientação da professora Maria Lúcia Lebrão, da FSP.

Os resultados da pesquisa mostram que os serviços públicos e privados de atendimento à saúde não estão preparados para atender a crescente prevalência de doenças crônicas em idosos. “Tanto o acesso quanto a continuidade do cuidado para idosos hipertensos ou diabéticos, não estão acontecendo de forma adequada”, destaca a pesquisadora. “Isso pode fazer com que essa população viva mais tempo mas com pior qualidade de vida”.

Marília alerta que tanto os sistemas públicos quantos os privados precisam se organizar rapidamente, diante do acelerado envelhecimento da população, para gerenciar melhor o cuidado e a atenção às condições crônicas em idosos. “É necessário melhorar o acesso e o controle das doenças, respeitando as necessidades do idoso e contribuindo para melhorar sua qualidade de vida, tanto na atenção básica quanto nas consultas com especialistas”, ressalta. “Ao mesmo tempo, deve-se reforçar as iniciativas de prevenção tanto da hipertensão e da diabetes como de suas complicações, para que a população possa envelhecer com mais saúde, de modo a evitar a sobrecarga dos serviços médicos e reduzir a mortalidade precoce, especialmente entre o sexo masculino”.

(publicado pela Agência USP em 8/09/2011)